Exportações alimentares portuguesas crescem a bom ritmo

As exportações portuguesas da fileira agroalimentar estão a crescer a duplo dígito nos primeiros meses de 2017.

As exportações portuguesas da fileira agroalimentar disparam 16,4% nos primeiros três meses deste ano, face ao período homólogo de 2016, nas contas da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).
No conjunto dos últimos cinco anos, as vendas de bens agroalimentares e bebidas para o exterior registaram um crescimento médio anual de 5,4%.

O número de empresas desta fileira a vender para fora das fronteiras também está a aumentar.

As 4106 empresas exportadoras registadas em 2011 cresceram para 4644 em 2015.

«Este aumento de 538 empresas em cinco anos pode parecer modesto mas se pode esquecer que o processo de internacionalização, para quem está a dar os primeiros passos, na sua maioria pequenas e médias empresas, assume um desafio extremamente exigente quer do ponto de vista produtivo quer da estrutura organizacional», comenta fonte oficial da AICEP.

«É preciso conhecer a fundo o ‘modus operandi’ de cada mercado, a informação de índole cultural, as condições legais de acesso aos mercados – as barreiras alfandegárias (taxas aduaneiras) e não alfandegárias (certificações) -, assim como definir uma eficiente política de preços e escolher o mais adequado parceiro logístico e financeiro, essenciais à materialização do negócio», aconselha.

A diversificação de mercados é um dos grandes desafios para as exportações nacionais de uma forma global e no setor agroalimentar em particular já se nota desde 2015 a tendência de redução da dependência dos tradicionais mercados de exportação, à qual não é certamente alheia a quebra de vendas para Angola.

«A dependência de um só mercado, assim como de um único cliente dentro do mesmo mercado, vulnerabiliza a presença das empresas exportadoras no palco internacional. No âmbito dos Sistemas de Incentivo Financeiros de apoio à internacionalização das PME (Pequenas e Médias Empresas), uma das condições de elegibilidade é a diversificação de mercados e a quantificação clara dos objetivos de venda em cada um».

Em cinco anos, as exportações alimentares conquistaram 21 novos mercados de destino para um total de 153 países em 2016. Já as exportações agrícolas têm 13 novos destinos para um total de 174 no final do ano passado.

Quer os tradicionais mercados de exportação – na sua maioria na Europa – quer as novas geografias trazem oportunidades de crescimento para a fileira agroindustrial. Mas é preciso aumentar o índice de notoriedade dos produtos, sobretudo nos novos mercados.

«A estratégia deve passar pela aposta em nichos de mercado nos quais as opções de compra dos consumidores se faz pela perceção e busca da qualidade dos produtos e não pelo preço», aconselha a AICEP.

Os cinco principais clientes da agroindústria

A COSEC – Companhia de Seguros de Crédito nota um aumento da necessidade cobertura de risco não só em mercados tradicionais como em novos palcos de exportação. «Os principais mercados externos em termos de garantias concedidas pela COSEC continuam a ser os tradicionais: Espanha, França, Alemanha, Reino Unido e Itália, pese embora seja visível por parte dos clientes um esforço de diversificação para mercados da América Latina e África e uma renovada aposta em outros parceiros europeus», diz Berta Dias da Cunha, Administradora da COSEC.

«Os produtos com garantia do Estado português são também um complemento muito importante para a expansão das empresas portuguesas em mercado de risco político, que têm apresentado maiores taxas de crescimento e melhores oportunidades de negócio mas também um maior risco».

Espanha, França, Angola, Reino Unido e Itália são respetivamente os principais clientes da fileira agroalimentar que, em 2016, vendeu um total de 5,9 mil milhões de euros para o exterior.

Em 2016, as exportações aumentaram para todos estes países, com exceção de Angola. Espanha recebeu 36% do total de exportações deste setor, um total de 2,1 mil milhões de euros em compras a Portugal.

Segue-se França que compra 9% do total de exportações da fileira e no ano passado gastou 543 milhões de euros em bens agroalimentares portugueses.

Vinho, pescado, azeite, conservas e hortofrutícolas são os produtos mais exportados. No ranking mundial de exportação de vinho o nosso País ocupa a 9ª posição com uma quota de mercado de 2,58%. Já na lista dos principais exportadores mundiais de azeite e preparados de tomate, Portugal ocupa a 5ª posição, com uma quota de 6,64% e 5,13%, respetivamente.

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